Não tem sido um dia bom. Sem ela eu não tenho tido dias bons.
Quando eu passei a ultima semana na vó eu tive apenas um breve momento de desapontamento com o que a vida estava aprontando comigo e com ela. E logo essa angústia foi passando, lentamente, mas sem abandonar os constantes e agudos picos repentinos de saudade que me atacavam ao longo da noite. Agora que eu estou em casa, tentando lidar internamente e externamente em Londres, e ela, na Austrália. O que eu pensava estar aliviando e esvaindo cai com toda a força: a ficha.
A ficha caiu. Ou está caindo. Ou apenas está ameaçando encontrar-se com o chão. Eu ainda não dou conta de dar uma exata localização. Mas esse é o momento de tudo o que vocês viveram juntos, tudo o que vocês vivem distantes e tudo o que o futuro reserva pra ambos bate na porta dos seus sentimentos, mas com o pé, e quebra qualquer estabilidade emocional que você procurou manter. Estou quase perdendo as rédeas do controle que eu procurei, justo por pensar que eu já tinha passado qualquer período de lamentação. Pobre inocente. Qualquer coisa que eu faço tem um dedo dela. Qualquer coisa que eu penso tem as suas marcas. Inclusive esse texto. A cada frase vem trechos de “Memórias de Um Amor” à minha cabeça, junto com um aperto no coração e com uma dose extra de lágrimas. E é claro que isso não vai me permitir tão facilmente dizer adeus tão facilmente ao ontem.
Assim foi o meu dia.
Eu faço alguma coisa, tomo consciência que só estou fazendo isso desse jeito por causa dela e o coração começa a apertar. Contive o choro na frente dos outros. Dormi a tarde inteira pra evitar pensar nisso e não precisar conversar com os meus pais naquele momento frágil.
E aqui vou eu assistir “Memórias de um amor”.
Pausa pra checar se ela está no whats e se me mandou alguma mensagem. Surge a ideia de colocar esse texto em algum lugar seguro, sem riscos de ser perdido num backup ou visto por alguém que não deva. Posso colocar isso num blog e chamá-lo de Bueno. Maldita homenagem! Sinto falta dessa maldita! Apesar dos recentes desaforos ela é uma daquelas pessoas que você perde e não tem esperanças de encontrar outra que a substitua. Assim como a Isabelli, deixou um vazio que até certo ponto da sua vida não era preenchido por ninguém e que a partir de agora é exclusivo dessa pessoa. Lamento ter perdido uma grande amiga.
Uma música...
uma frase...
“Confesso que às vezes eu faço de tudo pra n lembrar e seguir vivendo, mas no menor descuido eu lembro e o coração fica pequeno”.
Autoria: Texto de amigo especial, após um rompimento. Agradeço à ele pela disponibilização do mesmo.